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Exportações de calçados seguem em alta em outubro

Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que as exportações de calçados seguem em elevação. No mês dez, foram embarcados 12,85 milhões de pares, que geraram US$ 93,96 milhões, altas de 23,3% e 69,6%, respectivamente, ante o mês correspondente de 2020. É o primeiro mês de 2021 que registra altas em volume e receita na relação com o período pré-pandemia, em 2019 (de 15,9% em volume e 7,2% em dólares). Com isso, no acumulado dos dez meses do ano, as exportações somaram 99 milhões de pares, gerando US$ 712,4 milhões, incrementos de 32,2% em volume e de 30,7% em receita na relação com o mesmo ínterim do ano passado. No comparativo com o acumulado de 2019, as exportações de calçados estão 2,7% superiores em volume e 13,2% inferiores em dólares. Ainda conforme o relatório da Abicalçados, o nível pré-pandemia das exportações brasileiras de calçados já foi superado em 95 países de destino.

 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que outubro registrou o melhor mês de 2021 para as exportações brasileiras de calçados. Outro fato relevante, segundo ele, é que o crescimento foi puxado pelos calçados de couro, com aumento de 6,5% em dólares e 15,9% em volume, frente a outubro de 2019, ganhando participação na pauta de exportação. “São calçados de maior valor agregado, que quando aumentam a participação nos embarques geram resultados expressivos”, comenta.

 

No período, o principal destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo os Estados Unidos. Entre janeiro e outubro, foram embarcados para lá 11,75 milhões de pares por US$ 177,6 milhões, altas de 51,5% em volume e de 50,4% em receita no comparativo com os dez primeiros meses do ano passado.

 

O segundo destino de 2021 é a Argentina. No período, foram exportados para o país vizinho 10,76 milhões de pares, que geraram US$ 92,4 milhões, incrementos de 71,5% em volume e de 53,69% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2020.

 

O terceiro destino do calçado brasileiro no exterior, em 2021, foi a França. Nos dez meses, os franceses importaram 6,17 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 50,3 milhões, incrementos de 10,3% em volume e de 9,7% em receita ante o mesmo período do ano passado.

 

Estados

O Rio Grande do Sul segue sendo o maior exportador de calçados do País. Entre janeiro e outubro, saíram das fábricas gaúchas mais de 25,7 milhões de pares, que geraram US$ 317 milhões, incrementos de 43,4% em volume e de 29,8% em receita na relação com o mesmo período do ano passado.

 

O segundo exportador é o Ceará. Nos dez meses, as fábricas cearenses enviaram ao exterior 30 milhões de pares, que geraram US$ 166,8 milhões, altas de 18,4% e 22,5%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2020.

 

O terceiro exportador do período foi São Paulo, de onde partiram 6,82 milhões de pares por US$ 75 milhões, incrementos de 28,7% em volume e de 35,4% em receita na relação com os mesmos dez meses do ano passado.

 

Importações da China já respondem por 30% do total

Mesmo que as importações totais estejam em declínio ao longo dos dez meses do ano de 2021, em relação ao mesmo período de 2020 - caíram 5,3% em pares (para 17,56 milhões de pares) e 3,7% em dólares (para US$ 251,63 milhões) - , as altas consecutivas das importações de calçados da China vêm preocupando o setor calçadista brasileiro. No mês de outubro, entraram no Brasil 309 mil pares de calçados chineses, pelos quais foram pagos US$ 2,8 milhões. As altas são de 62,5% em volume e de 8,6% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Os incrementos das importações do gigante asiático no último ano fizeram com que os chineses aumentassem a representação nas importações brasileiras de calçados de 15% para 30%. No acumulado dos dez meses, foram importados mais de 6 milhões de pares de calçados made in China, pelos quais foram pagos US$ 29,23 milhões, alta de 6% em dólares e queda de 5,7% em receita no comparativo com igual período do ano passado. “Existe uma preocupação, porque a China se recuperou da pandemia mais rapidamente e está pulverizando a sua produção mundo afora, o que pode causar uma invasão de produtos chineses nas prateleiras do varejo brasileiro”, avalia Ferreira, acrescentando que existe um processo para renovação do antidumping contra o calçado chinês em andamento, que ainda está em investigação. “Causa apreensão na indústria calçadista brasileira, que em meados dos anos 2000 foi abalada pela avalanche de calçados chineses no País. Se com o antidumping - que prevê uma sobretaxa de US$ 10,22 por par importado de lá - em vigência, a China dobrou a sua participação em um ano, o que dirá sem essa proteção?”, alerta.

 

Completam o ranking de origem das importações de calçados o Vietnã (7 milhões de pares e US$ 137,8 milhões, quedas de 16,2% e 9,3% no comparativo entre o acumulado de 2021 e de 2020) e a Indonésia (2,2 milhões de pares e US$ 41,45 milhões, quedas de 13,8% e 0,4%, respectivamente).

 

No geral, as importações de calçados, entre janeiro e outubro, somaram US$ 251,63 milhões, que foram pagos por 17,5 milhões de pares, quedas de 9,4% em receita e de 24% em volume na relação com o mesmo período do ano passado.



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