Abicalçados sobre o anúncio de mais 12,5% de tarifaço para os Estados Unidos: “o que estava ruim, ficou pior”

Com mais essa sobretaxa, calçado brasileiro somará 37,5% em tarifas extras para entrar nos Estados Unidos

 

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) repercute mais um revés na relação comercial com os Estados Unidos. Na noite desta quinta-feira, dia 23, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), anunciou a cobrança de mais 12,5% para produtos de 60 economias, entre elas a brasileira. O calçado está incluso na medida, tomada após conclusão da investigação com base na Seção 301 sobre produtos importados de países com práticas de “trabalho forçado”. Com isso, o calçado verde-amarelo importado pelos Estados Unidos terá uma sobretaxa total de 37,5%. 

 

Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o revés “piora o que já estava ruim”. “Na prática, teremos um adicional de mais 2,5% em relação ao cenário atual, pois amanhã (24) cairá a tarifa global de 10%. É um problema a mais, mas não surpreendeu o setor”, comenta, ressaltando que a medida aumentará o diferencial tarifário entre o Brasil e países fornecedores de calçados, em especial os asiáticos Vietnã, Indonésia e Camboja. “Perderemos ainda mais mercado para esses concorrentes”, projeta. No início da semana, com o anúncio do tarifaço de 25%, a indústria calçadista já havia revisado sua projeção de queda nas exportações totais de calçados, que passou de um revés de 3,6% para 7,1%. 

 

Medidas

Além do anunciado Plano Brasil Soberano 3, que ainda carece de regulamentações complementares, a entidade reforça a importância de outras medidas como a ampliação do Reintegra, que hoje retorna apenas 0,1% em créditos sobre produtos exportados pelo Brasil. “Há previsão legal para ampliação da alíquota até 5%, o que contribuiria para a atenuação dos impactos sobre as empresas exportadoras nesse momento de dificuldades no mercado internacional”, ressalta Ferreira. 

 

Ao mesmo tempo, segundo o dirigente, diante da perspectiva de retração das exportações, “torna-se ainda mais urgente a adoção de salvaguardas e de outros instrumentos de defesa comercial que protejam o mercado doméstico do avanço expressivo e nocivo das importações”.  Somente no primeiro semestre do ano, ingressaram no Brasil mais de 25 milhões de pares de calçados, o que representa crescimento de 15,6%, mesmo em um contexto de estagnação do mercado interno e retração da produção nacional.