A Coalizão Indústria, grupo do qual a Abicalçados faz parte, divulgou um manifesto para apresentar propostas concretas para que o país volte a crescer de forma acelerada e duradoura
Manifesto pela aceleração do crescimento sustentado do Brasil
A Coalizão Indústria, composta por associações nacionais de diversos setores da indústria e do comércio exterior que, juntos, respondem por 44% do PIB industrial do Brasil, vem a público apresentar propostas concretas para que o país volte a crescer de forma acelerada e duradoura. Os brasileiros não podem se conformar com o ritmo atual de crescimento do país. As projeções mais recentes indicam que o PIB deve crescer apenas cerca de 1,8% em 2026, com a indústria de transformação avançando apenas 0,5%. Esse desempenho é insuficiente para gerar empregos de qualidade, elevar a renda da população e melhorar os indicadores sociais.
A Coalizão Indústria defende que o país alcance um patamar de crescimento sustentado do PIB de, pelo menos, 3,5% ao ano nos próximos cinco anos. Esse ritmo é factível, já foi alcançado em outros períodos da história recente e é fundamental para inserir o país de volta em uma trajetória de desenvolvimento. Para atingir esse objetivo, é essencial aumentar fortemente o investimento produtivo. O ambiente de negócios no Brasil afasta e posterga investimentos necessários para o país crescer e se desenvolver. Hoje, o custo de capital é um dos mais elevados do mundo, o que trava a expansão das fábricas, a modernização tecnológica e a capacidade de competir tanto no mercado interno quanto nas exportações. Para destravar o investimento, são necessárias quatro mudanças prioritárias e interligadas:
Primeira: equilibrar efetivamente as contas públicas. Enquanto o déficit fiscal permanecer elevado, a taxa de juros real continuará alta, encarecendo o crédito e desestimulando qualquer projeto de longo prazo. Com contas arrumadas, será possível preparar o terreno para se chegar a custos de capital mais competitivos e iniciar a redução do alto peso da carga tributária sobre os brasileiros.
Segunda: reduzir o custo do capital para níveis próximos aos dos países concorrentes. Empresas que produzem no Brasil enfrentam custo de financiamento muito superior ao de concorrentes na Ásia, no México ou no Leste Europeu. Enquanto isso não mudar, o investimento continuará migrando para outros lugares. São necessárias condições de crédito que permitam às empresas brasileiras competir em pé de igualdade.
Terceira: avançar na simplificação tributária e tornar a carga compatível com a de nossos principais concorrentes internacionais. A reforma tributária recentemente aprovada, que unificou tributos sobre o consumo e foi amplamente defendida pelos setores industriais, representa um passo importante na direção da simplificação. No entanto, a carga tributária sobre a produção e os investimentos ainda permanece muito elevada. É preciso completar esse esforço com redução da cumulatividade remanescente e maior desoneração dos investimentos, para que a indústria brasileira não continue carregando desvantagem estrutural em relação aos concorrentes globais.
Quarta: garantir equidade competitiva com os países que disputam o mercado com o Brasil. A China se consolidou como a fábrica do mundo e, por meio de subsídios estatais e condições especiais de produção, tem direcionado seu excesso de capacidade para vários países, inclusive o Brasil. Essa situação se agravou com as mudanças geopolíticas dos últimos anos e vem causando danos reais em diversos setores industriais, com produtos importados a preços que não são compatíveis com os custos normais de produção. Outros países daquela região estão trilhando os mesmos caminhos. Para viabilizar e estimular os investimentos no país, é essencial usar, com agilidade, os instrumentos disponíveis que deem segurança ao investidor e assegurem uma concorrência leal. Não se trata de fechar o mercado, mas de criar condições para que produzir no Brasil seja uma decisão competitiva e atrativa.
Além dessas quatro frentes, é fundamental flexibilizar a legislação trabalhista para alinhá-la à nova realidade do mundo empresarial. A indústria passa por uma grande transformação, com incorporação acelerada de novas tecnologias, automação e modelos de produção mais ágeis. Essa mudança precisa ser compatibilizada com os novos hábitos dos jovens que entram no mercado de trabalho, que buscam maior flexibilidade, desenvolvimento pessoal e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Atualizar as regras trabalhistas é essencial para atrair e reter talentos qualificados na indústria.
Essas medidas — contas públicas equilibradas, juros mais baixos, tributação competitiva, equidade no comércio e modernização das relações de trabalho, garantindo que seja mantido o conceito já aprovado de prevalência do negociado sobre o legislado — não são pedidos setoriais. Elas são condições básicas para que a indústria volte a ser a alavanca do crescimento brasileiro. Quando a indústria investe e se expande, gera empregos formais com salários acima da média, capacita mão de obra, aumenta as exportações de maior valor agregado e amplia a arrecadação sem elevar alíquotas. É o caminho mais direto para melhorar os indicadores sociais de forma sustentável.
A Coalizão Indústria apresenta essas propostas com base na experiência diária de quem produz, emprega e compete todos os dias. Trata-se de proposições factíveis e que dependem essencialmente de escolhas claras de política econômica. A indústria brasileira está pronta para crescer, inovar e contribuir muito mais com o Brasil. O que falta é o ambiente que permita isso acontecer na escala necessária para o desenvolvimento do país. É necessário agir com rapidez. Neste ano, em que já enfrentamos dificuldades devido às altas taxas de juros, ao endividamento elevado das famílias e das empresas, e também ao aumento dos custos de insumos, energia, frete e outros fatores, para todos os setores da economia, como consequência dos conflitos no Oriente Médio, o sentido de urgência se torna ainda maior. Sem ação decidida, corremos o risco de comprometer de maneira irreversível os próximos anos.
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Calçados: EUA e América Latina
puxam alta nas exportações em abril
O quarto mês do ano trouxe uma notícia positiva para os calçadistas brasileiros. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em abril foram embarcados 8,2 milhões por US$ 73,5 milhões, incremento de 9% em volume e queda de 7,3% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do quadrimestre, as exportações somaram 34,5 milhões de pares e US$ 284,44 milhões, quedas de 11,7% e 18,5%, respectivamente, ante mesmo ínterim de 2025.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que abril trouxe sinais de recomposição das exportações de calçados em mercados estratégicos, especialmente Estados Unidos e países latino-americanos. “O crescimento dos embarques para os Estados Unidos indica, além da recomposição, uma antecipação de embarques ao destino após o alívio tarifário, uma vez que deixou de incidir a tarifa adicional de 50% e os calçados brasileiros passaram a competir sob alíquota isonômica de 10%”, diz. Já o acumulado do ano, segundo o dirigente, segue refletindo os impactos do primeiro trimestre, marcado pelo choque tarifário norte-americano, pela perda de dinamismo em mercados tradicionais e por menores preços médios, associados à mudança de composição da pauta exportadora por produtos e destinos.
Outro fator que impulsionou o resultado das exportações de abril foram os embarques para os países da América Latina. Excluindo a Argentina, as exportações para os países latino-americanos cresceram 24,6% em valor e 53% em pares, em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Expectativa
Diante da melhora do cenário para as exportações, Ferreira ressalta o potencial da BFSHOW, maior feira calçadista da América Latina que acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo/SP, entre os dias 18 e 20 de maio. “Neste contexto, a feira ganha ainda mais importância para garantir a recuperação dos embarques a partir do segundo semestre”, diz. Na mostra são esperados mais de 1,2 mil importadores dos principais mercados do mundo.
Ranking de destinos
Em abril, as exportações para os Estados Unidos contabilizaram 842,9 mil pares e geraram US$ 14,72 milhões, incrementos de 16,5% e 40,5%, respectivamente, ante o quarto mês do ano passado. Já no acumulado do quadrimestre, as exportações para lá somaram 3,8 milhões de pares e US$ 54,5 milhões, alta de 7,8% em volume e queda de 18,9% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2025. “Apesar do otimismo na recuperação para os Estados Unidos, permanecem incertezas quanto aos desdobramentos da investigação da Seção 301 relacionada ao Brasil”, comenta Ferreira.
No mês quatro, os embarques para a Argentina contabilizaram 474,82 mil pares e US$ 7,6 milhões, quedas de 55,4% em volume e de 55% em valor na relação com o mês correspondente do ano passado. “A retração dos embarques para o destino segue como o principal fator negativo para o desempenho externo do setor, sob um contexto de menor atividade econômica e consumo pressionado”, avalia o dirigente. No acumulado do quadrimestre, as exportações para a Argentina somaram 2 milhões de pares e US$ 31,3 milhões, quedas de 56,7% e 59,8%, respectivamente, ante o mesmo período de 2025.
No terceiro posto entre os destinos aparece o reflexo do melhor desempenho das exportações nos países latino-americanos. O Equador importou, no mês, 868,5 mil pares, pelos quais foram pagos US$ 6,64 milhões, altas de 11,3% e 57,1%, respectivamente, no comparativo com abril do ano passado. No acumulado do quadrimestre, o Equador somou a importação de 1,72 milhão de pares e US$ 14,55 milhões, incrementos de 22,6% e 24,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Estados
Seguindo como maior exportador de calçados do Brasil, no mês de abril o Rio Grande do Sul contabilizou o embarque de 2,73 milhões de pares, que geraram US$ 36,95 milhões, quedas de 6% e 6,6%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do ano, as exportações gaúchas somaram 10,9 milhões de pares e US$ 142,73 milhões, quedas de 4,9% e de 13,7% em relação ao mesmo ínterim de 2025.
O segundo exportador do País foi o Ceará. No mês de abril, partiram das fábricas cearenses 2,52 milhões de pares e US$ 11,4 milhões, incrementos de 76% e 5,6%, respectivamente, em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do quadrimestre, as exportações do Ceará somaram 10,68 milhões de pares e US$ 53,44 milhões, quedas de 21,4% e 27,3% ante o mesmo intervalo do ano passado.
Completando o ranking aparece São Paulo. Em abril, as fábricas paulistas embarcaram 585,47 mil pares por US$ 8,8 milhões, queda de 7,4% em volume e aumento de 0,1% em receita no comparativo com o mês correspondente do ano passado. No acumulado do ano, as exportações paulistas somaram 1,88 milhão de pares e US$ 27,95 milhões, quedas de 21,1% e 18,1%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025.
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