Reunião aconteceu na sede do MDIC, em Brasília, com representantes do Governo Federal
O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, esteve, durante da tarde do último dia 21 de julho, reunido com o vice-presidente da República Geraldo Alckmin, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, e seu secretariado; com o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador Philip Fox-Drummond Gough; e com Rafael Ramalho Dubeux, assessor especial do Ministro da Fazenda Dario Durigan. O encontro, ocorrido na sede do MDIC, em Brasília/DF, foi realizado com o intuito de ouvir as demandas e também sugestões do setor para mitigação do efeito do tarifaço de norte-americano de 25% contra o produto brasileiro, que passará a ser aplicado a partir de amanhã (22).
Na oportunidade, Ferreira elencou o cenário enfrentado com a retomada do tarifaço dos Estados Unidos, o principal destino do calçado brasileiro no exterior. Atualmente, de cada cinco dólares gerados pelas exportações, um é proveniente de embarques para o país comandado por Donald Trump. Segundo o dirigente, com a aplicação da sobretaxa, as exportações totais de calçados devem cair 7,1%, o dobro do previsto antes do anúncio da medida (3,6%). “A aplicação da tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, comenta.
A Abicalçados defende que a manutenção das negociações diplomáticas e comerciais constitui o principal caminho para a superação do impasse. No curto prazo, entre as medidas emergenciais apresentadas pela entidade, destacam-se a estruturação de um Plano Brasil Soberano 3, disponibilizando linhas de crédito emergencial facilitado e de menor custo para a indústria, e a ampliação do Reintegra, que hoje retorna apenas 0,1% em créditos sobre produtos exportados pelo Brasil. “Há previsão legal para ampliação da alíquota até 5%, o que contribuiria para a atenuação dos impactos sobre as empresas exportadoras nesse momento de dificuldades no mercado internacional”, ressalta.
Medidas compensatórias
No âmbito doméstico, Ferreira destacou a urgência de criação e aperfeiçoamento de instrumentos legais que permitam maior controle e monitoramento de importações, bem como aplicação mais efetiva de medidas de defesa comercial, diante do avanço expressivo e nocivo das importações de calçados - em especial provenientes da China, Vietnã e Indonésia - em detrimento da produção nacional, em grande parte sob práticas concorrenciais notoriamente injustas. “Somente no primeiro semestre do ano, ingressaram no Brasil mais de 25 milhões de pares de calçados, o que representa crescimento de 15,6%, mesmo em um contexto de estagnação do mercado interno e retração da produção nacional”, afirma.
Segundo o dirigente, diante de um cenário de queda em exportações, sem nenhuma âncora de sustento para a produção nacional e seus empregos gerados, instrumentos como salvaguardas, licenciamento de importações e demais medidas compensatórias são necessários para assegurar condições mais equilibradas de concorrência no mercado doméstico.
Segundo Ferreira, a reunião foi bastante produtiva e o Governo Federal, por meio dos seus representantes, se mostrou sensível aos problemas econômicos e sociais gerados pelo tarifaço de Donald Trump. “A promessa é de medidas para auxílio emergencial aos setores. Porém, ficou claro que as iniciativas serão por segmento econômico, já que cada um tem a sua particularidade”, conclui o dirigente.
Com mais de 5 mil empresas e gerando cerca de 280 mil empregos diretos no Brasil, a indústria calçadista brasileira é a quinta maior do mundo, a maior do Ocidente, tendo produzido, em 2025, mais de 847 milhões de pares de calçados.