Conforme a Abicalçados, tarifa global elimina vantagem tarifária de países asiáticos
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump e a sequência de tarifas globais, inicialmente de 10% e depois de 15% anunciadas pelo mandatário norte-americano, estão trazendo um sentimento de “otimismo cauteloso” para os calçadistas brasileiros. A avaliação é da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, ressalta que o modelo da tarifa global anunciada deixa o calçado brasileiro mais competitivo nos Estados Unidos em relação ao tarifaço anterior, que aplicava uma sobretaxa de 50% ao produto nacional. “A alíquota global de 15% elimina a vantagem tarifária que outros países produtores, em especial asiáticos, possuíam sobre o produto brasileiro no mercado estadunidense”, avalia.
Principal destino
A política tarifária norte-americana afetou de forma relevante o desempenho do setor calçadista em 2025. Até a entrada em vigor da alíquota adicional, em julho de 2025, as exportações brasileiras de calçados para os Estados Unidos acumulavam crescimento de 15,3%, em pares, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Com a vigência da sobretaxa, esse avanço foi revertido: entre agosto e dezembro de 2025, os embarques destinados ao mercado norte-americano registraram queda de 23,4% em volume, configurando um cenário desafiador para o setor.
Aprofundando a tendência registrada no último ano, no mês de janeiro de 2026 as exportações brasileiras de calçados ao destino sofreram retração de 45,7% e 26,8%, respectivamente, em dólares e pares, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.